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A veterinária

Informação sobre saúde animal para tutores.

Siringomielia: a doença dos cavalier king charles

21.08.20 | A veterinária

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Quem viu «O sexo e a cidade» certamente se lembra da cadelinha branca com manchas castanhas claras da personagem Charlotte. Pois é, os cavalier king charles, apesar de não serem muito populares em Portugal, são simpáticos, meigos e dão excelentes animais de companhia. O problema é que muitos sofrem de uma doença genética grave: a siringomielia.

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É uma palavra estranha, mas qualquer pessoa que queira adoptar um cão desta raça deve saber o que significa.

 

O que é a siringomielia?

O sistema nervoso divide-se em duas partes: o sistema nervoso central (cérebro e espinhal medula) e o sistema nervoso periférico (nervos). Tanto o cérebro como a espinhal medula estão rodeados por fluido cefalorraquidiano que dá lubrificação e nutrição ao sistema nervoso central. Este fluido forma-se em câmaras (chamados ventrículos) e depois flui por um canal central pela medula espinhal e cérebro.

Na siringomielia, há alterações ao fluxo de líquido cefalorraquidiano , o que provoca a formação de cavidades de fluido na medula espinhal. Isto provoca inchaço e dor.

 

Porquê que está associada aos cavalier king charles?

A siringomielia não é exclusiva dos cavalier, também pode ocorrer noutras raças, mas é muito mais comum nos cavalier. Basicamente, a conformação da cabeça dos cavalier faz com que tenham um cerebelo demasiado grande para a fossa caudal (a cavidade) que este ocupa. Assim, há compressão do cerebelo (que não tem espaço suficiente) gerando uma obstrução à passagem do fluido cefalorraquidiano. Com esta obstrução forma-se neste local (atrás do pescoço) uma cavidade de fluido.

 

Sinais clínicos:

  • Coçar o “ar”, ou seja, coçar muito a cabeça sem chegar a tocar;
  • Maior sensibilidade ao toque, principalmente na zona da cabeça e pescoço;
  • Lamber excessivamente as patas;
  • Esfregar excessivamente a cabeça;
  • Fraqueza dos membros posteriores;
  • Paralisia do nervo facial.

Podem ver aqui um vídeo com alguns sinais de um cavalier com siringomielia.

 

Diagnóstico:

A maioria dos pacientes são diagnosticados entre os 6 meses e os 3 anos e o diagnóstico tem de ser feito por Ressonância Magnética. O tratamento pode ser médico ou mesmo cirúrgico.

 

Como prevenir:

Se um cavalier for adoptado num canil ou associação não se sabe se vai ou não desenvolver siringomielia em determinada altura. No entanto, se for um animal adquirido a um criador os pais reprodutores devem ser avaliados para esta doença. Basicamente, faz-se uma ressonância magnética aos pais e, se tiverem sinais de siringomielia, não podem ser reproduzidos. Isto é, por exemplo, adoptado pelos clubes da raça no Reino Unido.

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